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Família Fiat Brava e Marea |
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Maré de pouca sorte
O Fiat Marea - derivado dos hatches Bravo e Brava - teve |
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O Brava, de cinco portas, e o Bravo, de três: desenhos distintos na traseira para os sucessores do Tipo, lançados juntos na Itália em 1995 |
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Em maio de 1998 o mercado brasileiro conheceu um daqueles carros destinados a dividir opiniões, a trazer controvérsia, um caso de ame-ou-odeie. Sucessor do Tempra, o Fiat Marea iniciava naquele mês uma carreira que teria quase 10 anos. |
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Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação – Fonte: Best Car Uol |
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Esboços livres dos Mareas sedã e Weekend (acima) e propostas do estúdio I.DE.A, do centro de estilo e da ItalDesign, de cima para baixo
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O Brava italiano contou com quatro motores a gasolina: de 1,25 litro, com potência de 82 cv e torque de 11,5 m.kgf; de 1,4 litro (uma antiga unidade, substituída em 1999 pelo 1,25), 79 cv e 11,4 m.kgf; de 1,6 litro, 103 cv e 14,7 m.kgf; e de 1,75 litro, 113 cv e 15,7 m.kgf. À exceção do 1,4, usavam quatro válvulas por cilindro. As versões a diesel tinham turbocompressor e a mesma cilindrada, 1,9 litro, mas com dois níveis de rendimento: um com 75 cv e 15 m.kgf, outro com 100 cv e 20,4 m.kgf. |
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Os conceitos |
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O Salão de Turim é famoso pelos estudos de desenho apresentados por empresas italianas. Para a edição de 1996, a Fiat convidou renomados estúdios a desenvolver carros-conceito com plataforma e mecânica do Bravo e do Brava.
Fioravanti revelou o Flair. O cupê de 2+2 lugares tinha formas suaves e arredondadas, cabine que integrava todos os vidros como se fossem uma só peça, lanternas traseiras em forma de um único arco e ótimo coeficiente aerodinâmico, 0,18.
O Bis, do estúdio Zagato, era um meio-termo entre automóvel e utilitário esporte, com linhas robustas, grandes pneus e alojamento para o estepe na traseira.
Bertone foi pelo mesmo caminho com o Enduro, definido como um cupê fora-de-estrada. Imponente com seus pneus altos e grande vão livre, tinha um grande vidro traseiro e frente "limpa", sem grade. |
Pela Pininfarina apareceu a dupla Sing e Song, com formato próximo ao de uma minivan. O Sing (azul) tinha pneus e altura de rodagem apropriados ao asfalto, enquanto o Song buscava valentia no uso fora-de-estrada leve.
A ItalDesign, de Giorgetto Giugiaro, levou ao evento o Formula 4, um carro esporte para quatro pessoas, cada uma sentada em um cockpit como se fosse o piloto. Com a substituição da parte superior da carroceria, o usuário poderia alternar entre dois perfis de uso: o de um bugue, sem portas e com capota, e o de esportivo, com laterais altas e arcos de proteção em capotagem.
O menos feliz dos trabalhos, o Brava Sentiero do estúdio Coggiola tentava fazer do hatch um picape com quatro portas, quatro lanternas circulares na traseira e muito plástico nas laterais. Uma aberração. |
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O sedã mais conservador, a perua mais ousada: a linha Marea surgia na Europa em 1996 e dois anos depois seria lançada no Brasil |
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A plataforma de Tipo e Tempra servia a um carro mais largo e baixo, que usava motores de 1,4 a 2,0 litros a gasolina, além do 1,9 a diesel |
Os motores de 1,4, 1,6, 1,75 e 2,0 litros a gasolina e 1,9 litro a diesel eram os mesmos do Bravo, mas o Marea acrescentava o diesel de cinco cilindros, 2,4 litros e 126 cv tratava-se do quatro cilindros com um cilindro a mais, sem relação com o 2,4 a gasolina que o equiparia mais tarde no Brasil. Houve também a versão Bi-Power do 1,6 16V, com preparação de fábrica para rodar com gás natural. A potência de 103 cv era mantida ao usar gasolina, mas caía para 92 cv com gás. Nesse caso, suspensão, freios e pneus eram diferentes em função do peso adicional na traseira. |
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Além do motor de cinco cilindros, nunca mais visto em um sedã nacional, o Marea trazia ao Brasil pretensionadores de cintos desde a versão básica e, na linha 2000, bolsas infláveis laterais |
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As versões ELX e HLX traziam farto conteúdo de série e a Weekend adicionava amplo espaço para bagagem; embaixo o SX, mais simples |
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As versões iniciais eram ELX e HLX, tanto para o sedã quanto para a Weekend. Diferenciadas no acabamento e nos equipamentos de série, usavam o mesmo e único motor: o de cinco cilindros primeiro dessa configuração em carro nacional e, até hoje, não mais usado em sedãs e peruas e 2,0 litros, com variador no comando de admissão, que aqui fornecia 142 cv e 18,1 m.kgf, associado a câmbio manual de cinco marchas. A potência específica de 71 cv/litro era das mais altas da produção brasileira na época, perdendo apenas para o Honda Civic 1,6 de 127 cv. Uma árvore de balanceamento anulava parte das vibrações e resultava em funcionamento suave. |
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Mais potente carro nacional por quase todo o tempo de produção, o Marea Turbo trazia amplas alterações para entregar 182 cv e 27 m.kgf
Saídas de ar no capô, novas rodas, pedais esportivos, fundo claro nos instrumentos: mudanças sutis para identificar um Marea muito rápido |
Isso o enquadrava em categoria de menor alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na época relacionada à potência e não à cilindrada como hoje. O torque máximo caía pouco, de 18,1 para 17,9 m.kgf. Interessante mesmo era o Marea Turbo, que dava seguimento à tradição iniciada em 1994 com Uno e Tempra dotados de turbocompressor. O motor de 2,0 litros exclusivo do Marea brasileiro e tomado emprestado do Fiat Coupé italiano passava a 182 cv e 27 m.kgf. O Coupé chegava a 220 cv, mas a Fiat parece ter considerado os 182 suficientes para supremacia em desempenho, sem precisar de alterações extremas no conjunto. |
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De início em versões 1,6 e depois também como HGT de 1,75 litro (ao lado e abaixo), o Brava agradou pelo desenho, apesar dos quatro anos de atraso em relação ao italiano |
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Com motor de 2,45 litros e 160 cv, o Marea ficava bem mais ágil; no ano seguinte ganhava nova traseira, e o Brava 1,6, força em baixa rotação |
Mudança de planos A estabilidade da economia em geral e da cotação do dólar em particular, em 1998, somada ao crescimento do mercado de automóveis naquela época, levou a Fiat a anunciar a importação do Bravo para o ano seguinte, de modo a suprir a lacuna que o Tipo havia aberto em 1997 ao sair de produção. Em janeiro de 1999, porém, veio a desvalorização do real e o dólar subiu quase 50% da noite para o dia, o que inviabilizou os planos. Cancelou-se então o Bravo e veio apenas o Brava, produzido no Brasil e lançado em setembro seguinte. |
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O motor 1,6 16V, que veio baratear o Marea SX em 2005, foi parte da tentativa da Fiat de estender sua vida útil por mais alguns anos |
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Pequenas alterações visuais não conseguiam remoçar o Marea diante dos concorrentes; em 2007 as últimas versões saíam de fabricação |
Ao mesmo tempo o Marea passava por uma reestilização da traseira, tida como seu ângulo menos atraente. Lanternas triangulares, cedidas pelo italiano Lancia Lybra, e tampa do porta-malas de linhas retas buscavam a sensação de um carro mais largo e imponente, com prejuízo para a harmonia do conjunto destoavam da carroceria toda arredondada. Havia novos itens de conveniência, mas o maior ganho em conforto ficava para outubro: a opção de caixa automática de quatro marchas, a mesma usada pela GM no Vectra, restrita ao HLX. Pouco depois o ELX adotava o motor 1,75 16V. |
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